terça-feira, 19 de outubro de 2004

Desculpem a franqueza. Mas, quando alguém (eu) é pra nascer cagado, realmente nasce. Também posso dizer que é outra comprovação de que, em alguma encarnação passada, eu parei na frente da cruz, taquei uma pedra pra chamar atenção e, assim que esta foi conseguida, fiz um belo de um bundalelê.
A história é a seguinte. O antigo morador do apartamento em que estou morando no presente momento saiu e deixou o imóvel impecável. Exceto num lugar em que ninguém constuma conferir na revista: os ralos, em geral, da casa. O ralo da pia entupiu semanas depois que eu entrei. Desmontei e limpei. Na ocasião, desculpas àqueles de estômago fraco, eu encontrei um belo de um tufo de cabelos. Como eles foram parar lá, eu ainda não sei. Acho que a namorada do infeliz levava a sério aquele negócio de que lavar os cabelos no tanque com água gelada faz bem. Vai saber. Remontei e até hoje ele não voltou a dar problema. Afinal, eu sou da idéia de que lugar de sa lavar o cabelo é no chuveiro e as louças é que é na pia da cozinha.
Falando em ralo do chuveiro, alguns meses depois foi ele quem entupiu. Dessa vez, o problema era menos nojento. O mané havia trocado a tampa do ralo por uma, bem barata, por sinal, mas que não dava vazão de água suficiente. Teoricamente, era pra eu ter comprado outra tampa de ralo e o problema estaria resolvido. Bebi esse dinheiro e acabei resolvendo de um jeitinho um tanto quanto "brasileiro". Levantei um pouco a borda o mesmo. A água desce normal, e, quando eu sair, volto o ralo ao seu normal. Azar do próximo trouxa que entrar aqui.
Até aí tudo bem. Estava conseguindo me virar bem com esses transtornos, um tanto quanto rotineiros, digamos, do meu apartamento. Eis que, semana passada, foi a vez do ralo da pia do banheiro entupir. Tentei desmontar a peça pra lavar e descobri que algum palhaço remendou quase tudo com durepox. O que significa que, pra desentupir aquela bagaça, ia ser na base da química. Tentei, primeiro, com uma coisa leve: iogurte. Sim, lembrem que iogurte é feito de bactérias, que vão decompor o material orgânico do meu ralo. Não deu certo. Tentei a coca cola quente (como eu não sou chegado em refrigerante, não senti nenhuma pena em virar aquela garrafa no ralo). Também não deu certo. Era hora de uma atitude mais drástica. Ia tentar com aqueles desentupidores de pia que vendem em supermercados. Se não desse certo, ia pedir pra alguem roubar alguma coisa de algum laboratório de química (eu podia derreter o chão do prédio inteiro, mas que ia descer água pelo ralo, ah se ia!).
Comprei todo feliz o produto (me lembrando dos meus dias de criança com um laboratório júnior de química, alguns produtos roubados do armário de casa e, dias depois, um gato intoxicado. Intoxicado, mas não morto; pra desespero do restante da família que, também, não via a hora de enterrar o bichano). Fiz tudo conforme as especificações. Terminado o serviço, resolvi fazer o teste: liguei a água ao máximo e ví, maravilhado, ela descer inteirinha, sem fazer nenhuma pocinha na pia. Me livrei do meu lado ambientalista e fiquei, estuperfato, vendo a pia vazar água. No outro dia, eu acordo e vou me aprontar. Como continuava bobo com a "qualidade" do meu serviço, deixei a torneira abundantemente ligada. Eis que, minutos depois, eu sinto alguma coisa molhada no meu pé. Olhei pra baixo e vi água imundando meu banheiro, caindo da parede da pia. Fulo da vida, fui ver o que havia acontecido.
Desmontei a peça de proteção na marra (martelo, é o termo certo). Olhei e ví o que tinha acontecido. O encanamento tinha sido remendado de uma forma bem porca. O fato é que, o que sustantava a não-vazao da água era uma fita de "plástico" que fazia as vezes de uma conexão decente. Claro que o ácido do produto derreteu aquela porcaria inteira.
Agora é só descer, assim que eu tiver tempo, pra quebrar o maior barraco com o dono da imobiliária (a imobiliária fica no térreo do apto). Porque, de forma nenhuma, eu vou pagar o olho da cara pra consertarem um serviço que nem sequer foi feito. E mesmo se fosse, meu dinheiro está sendo todo revertido à um propósito maior. Se alguém acha que eu estou fazendo caridade, se enganou. Pretendo viajar no feriado, e, consequentemente, o dinheiro vai comigo e não volta. Mas, como todo bom economista deveria pensar, ao menos eu estarei estimulando a economia do lugar.

E, se alguém souber de algum encanador que faça esse serviço grátis, me avisa. Aquele balde embaixo da pia está, realmente, RIDÍCULO.

Nenhum comentário: