Eu geralmente costumo me manter calmo e extremamente controlado. Mas não posso evitar que, em determinadas circunstâncias, minha raiva aflore. Talvez essas explosões de raiva sejam até consequência de tentar me manter sereno por muitas vezes. Mas o que realmente me aborrece é ver que todos se espantam com isso. Algo como se eu tivesse obrigação de ser uma boa e serena pessoa e, além de tudo, extremamente boa companhia independentemente do dia. Mas eu realmente preciso de alguns dias de egoísmo. Pensar em no que estou sentindo e não dar bola pra absolutamente ninguém.
E, ultimamente, as coisas não andam nem um pouco fácies pra mim. Eu sempre fui aquele que entendi e atendi ao "piti" de todos à minha volta. Me mantive calmo quando o barco estava afundando e achei uma saída. Controlei tudo e todos para que o mal passasse e tudo voltasse (ainda não voltou, mas está voltando) ao seu contexto normal. Acabou que fui tachado como quem não estava ligando pra nada. Que minha vida estava às mil maravilhas, independente do que acontecia à minha volta. E não era nem um pouco o caso.
Daí que tudo acabou acumulando, acumulando e resultou no que aconteceu hoje. Ultimamente as brigas eram cada vez mais usuais e piores. Estavam querendo que eu fosse mais do que sou e me desse mais do que já me dou. Não sou perfeito. Nem tenho pretenção de ser. Só esperava que se lembrasses de que eu não sou nenhum robô desprovidos de sentimentos. E, definitivamente, me irrita a pergunta "você está bravo?".
Nessa hora não adianta relaxar. Parti pra briga e a discussão foi realmente feia. Quase uma hora depois, havia terminado. Eu, aqui, jogado no meu canto. Ainda estava cheio de raiva e tudo mais. Acabei recebendo um convite mais do que propício pra ir jogar capoeira com uns conhecidos, mais especificamente maculelê (luta com armas brancas). Podem me chamar de louco e tudo mais. Mas jogar foi a última coisa que eu fiz. E fiquei feliz em encontrar mais alguém na mesma situação. O pessoal estranhou a violência num jogo tão bonito e pacífico. Mas nós dois precisávamos descarregar as raivas (mesmo que um não soubesse o que estava acontecendo com o outro). Bati muito e não apanhei pra menos. Acho que, no fundo, maldizia que os facões e navalhas não tinham corte. Conseguimos quebrar a ponta dos fações quando eles bateram no ar; pra se ter uma idéia da situação.
Ao final da luta, estavamos os dois quebrados e ensangüentados. E, por incrível que pareça, razoavelmente contentes. Largamos as armas e nos abraçamos (foi algo como um gesto mútuo de agradecimento por fazer o que ambos precisávamos). O resto do pessoal, assustado, resolveu deixar o resto da roda pra outro dia (acho que temiam que aquilo virasse alguma coisa tipo "Clube da Luta"). Levamos quase meia hora pra lavar o sangue que havia respingado no chão. Estou com uns 2 cortes no rosto, vários hematomas pelo corpo, outro corte no ombro e um feio no tornozelo. Esses já estancaram. Mas o nariz ainda está sangrando.
Não vou dizer que a raiva passou totalmente. Mas já melhorou. Quem sabe, com o andar da carruagem eu acho provável, amanhã não tenha mais?!
ps: Não estou mentindo. Desculpas àqueles que estranham ou até estejam espantados com o depoimento. De coração, não é esse o meu objetivo aqui. Mas eu precisava poder surtar hoje. Amanhã, quem sabe, eu melhore.
ps2: conversei agora (tempos depois de escrever o post) com o Seginho (quem lutou comigo). Realmente, a gente estava passando por situações parecidas.
ps3: escrito algumas horas depois do post. Voltei agora do hospital. Meu tornozelo não parava de sangrar. Precisou dar pontos. Mas os cortes no resto do corpo, se não passarem até amanhã, em poucos dias saram. E, os da gengiva, possivelmente vão virar aftas nos próximos dias. Ainda assim, não me arrependo de nada.
Ouvindo Kidneythieves - Before I´m dead; e outras músicas deles.
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