Não sei, ao certo, o que posso te dizer para tentar fazer do errado certo. Nem sei o motivo de me sentir tão bobo assim. Mas a verdade é que não poderia olhar nos teus olhos hoje. Amanhã, talvez. Provavelmente quando o assunto estiver esquecido. Não me envergonho de ter feito o que fiz. Matei o que era velho para recriar um espírito novo, renovado. Drenei meu sangue e minhas lágrimas para enchê-los de novo, com o néctar puro da tua vida e de teus dentes.
Daí você chegou. Não me disse do teus dias e me perguntou da minha alma. Chorou por mim por cima de meu peito cru. Foi essa lágrima que me cortou mais do que a espada. Pois esta, não conseguiu passar da carne. Tua faca me perfurou a alma e me fez perceber que, inconsientemente, havia lhe feito mal. E me envergonhei disso. Dei-lhe um chicote para que me punisse. Mas, ao invés do castigo, você me deu um beijo, acariciou meu rosto e me abraçou.
"Eu estou me sentindo um idiota". Mas o idiota aqui sou eu. Aquele que não aprende a não manchar a roupa dos que me abraçam. Pois, pela primeira vez em muito tempo, alguém me negou a compaixão e me mostrou sincero. Eu poderia começar a chorar agora. Mas você veria as marcas das lágrimas (você consegue ver muito além até do que imagina estar vendo. Muito além até do seu ponto cego).
Não quero nunca mais te ver sofrer. Dou meu sangue pela doçura de teu sorriso. Pois, por mais distantes que a vida nos tenha deixado, é teu suspiro que me acorda de manhã. E sua voz a última coisa que ouço antes de cair no sono.
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