quinta-feira, 30 de setembro de 2004

Rapsódia escrita durante a aula de Política. O professor deve ter estranhado, eu, "anotando" durante a aula toda...

Ontem, o som seco das batidas de meu coração ecoaram pelo quarto e não me deixaram dormir. Ultimamente, não tenho a quietude para poder sonhar; mas sei que não posso ter tudo o que quero.
Sabemos segredos profundos de nossa almas. Mesmo assim, somos estranhos um ao outro. Tenho raiva por desconhecer teu sorriso. Mesmo teu anjo me visita vestido em véu. Desejo sentir teu toque e beijar teus dedos; sei que teu corpo também alimentaria meu espírito. Não me contento em te ouvir falar e não conhecer tua voz.
Hoje cedo tocou Legião no rádio. Não pensei em você (não consigo pensar o dia todo); pensei em mim mesmo. Imaginei toda a vida que pode estar para acontecer. Tento prever o futuro mudando meus erros do passado. Fui até à janela (é o lugar em que consigo espiar dentro de teu quarto) e achei um bilhete colado no vidro. Abri feliz mas tive medo da escrita. Vi que havia possibilidade de criar uma desculpa pra nada acontecer.
Antes de ir para a aula, sentei-me ao piano e toquei uma sonata. A música calou o choro do bebê da vizinha. Mas o vento continuava forte na rua; creio que até o final da tarde chove...

terça-feira, 28 de setembro de 2004

Me desculpem pela falta de posts. A vida anda meio turbulenta ultimamente. Isso não anda me deixando ter cabeça pra escrever coisas agradáveis (ou ao menos que eu considere interessantes). Por hora, deixo vocês com uma bela música: o cd Jagged Little Pill da Alanis. Até o final da semana eu me recupero (espero!) e volto com alguma coisa nova. Até lá...

"What's the matter Mary Jane, you had a hard day. As you place the don't disturb sign on the door"

sexta-feira, 24 de setembro de 2004

Realmente não sei o que me fez sentar, dizer, repetir gostar e desfazer. Mas o certo é que desde que teus olhos de cobra predadora pousaram, sugaram e morderam meu pescoço eu não tenho mais sossego. O gosto de teu beijo, de sua saliva é acido e vicia. O vício corre em minhas veias, derrete o fígado, embriaga e inebria. O toque de teus dedos me atormenta e alivia. Teu corpo trêmulo, teu coração pulsante. A dor, o toque, a pele, a terra, quero tudo escuro cantando ao sexo do bater das asas do anjo. Tenho medo de te ter e te fazer perder os cabelos.
Teu desejo tem gosto de sangue. O mesmo sangue que correu das têmporas, desceu teu rosto, manchou minha face, barriga, braço, pé, perna e virilha. Foi deste sangue que partiu o último beijo, me cortando a pele, furando os ouvidos e caindo em minha boca. E o gosto foi bom como que há muito não provava. Teu corpo tem gosto de felino; forte e quente como teu olhar de cobra que me enfeitiçou.
E mesmo que hoje eu vire os olhos, buscando tua sombra, teu cheiro e teu perfume; é somente o gosto amargo de teu suor que lembra à boca o quanto é doce teu sangue e viciante tua saliva. Mas sei que teu desejo é somente o que queda rubras cascatas das feridas de meu tornozelo. O verde de teus olhos me fundiu a alma e alimentou minha avareza. Mas carne à alma nada fala. Pois enquanto o gosto de teu sexo me fagocitar as linfas, são seus olhos de cobra predadora que perseguem e prendem meu corpo na cama durante a noite. Enquanto a alma vaga escura buscando o ópio que cure o rasgo fundo em minhas costas. Ansiando por reencontrar o coração que me reponha à doçura de um sorriso.

Só uma resposta.

"Pois meu coração nem ao menos me pertence, está contido num pote de vidro que te entreguei pra ser escondido, que te dei pra ser guardado, a sete palmos e a sete giros, posto que é proibido estarmos juntos, eu acho sofrido ficarmos separados."

quarta-feira, 22 de setembro de 2004

Sdrávstvuítche!
Algumas frases, fatos e pensamentos que me ocorreram (e/ou que presenciei) nos últimos dias.

"Eu não sei te dizer o que passou pela minha cabeça naquela hora. Mas não me arrependo do que fiz. Acho que nem você." Pessoa 1 no churrasco da casa da avó do Leo; antes da meia-noite. Realmente nem eu me arrependo. Foi pra lista "meu Deus, como eu consegui catar essa coisa maravilhosa?".

"Você sabe que eu realmente não quero voltar para a Bélgica. Mas, se as coisas continuarem desse jeito, acho que não compensa mais ficar no Brasil." Leo. Acabei afogando essa frase em várias caipirinhas.

"O que eu quero fazer com você a gente não pode fazer aqui. Mas eu não sei se vou voltar a te ver tão cedo; e não quero perder essa oportunidade de ficar com você." Pessoa 2; no mesmo churrasco, perto das 2 da manhã. Me deixou um sentimento de "nossa, eu to podendo hoje ou esse pessoal bebeu mais do que eu?"

"Eu não ando saindo em Campinas por falta de companhia. Mas a gente podia combinar um dia de ir pra balada." Dado que eu também não ando tendo muita companhia pra sair em Campinas, acho que fiz um amigo pra sair e soltar a franga comigo.

"Pra falar a verdade, seria bem melhor que o Bush ganhasse as eleições esse ano." Palestrante da Semana da Economia. Imaginem o bafafá que saiu no auditório depois da declaração.

"A gente anda sentindo sua falta na *********. Agora eu conseguí perceber melhor a falta que você faz. Por quê você não volta?" Raquel. Minha resposta: "Se a ******* sair de lá, eu volto!". Nomes excluídos por motivos de discrição.

"Vamos pro Rio no carnaval, então, ora!" Convite praticamente irrecusável. Além da companhia ser boa, carnaval no Rio é carnaval no Rio...

"Quem é você, que me queima a carne com a violência de uma brisa e me afaga a alma com a delicadeza de uma tempestade?" Pessoa 2, no flog dela. Eu mereço?!

"Eu sei porquê você está tão angustiado. Eu só te ví assim quando você estava pra se apaixonar. Cuidado, menino!" Fernando. Mandei logo um "vai te foder". Mas isso ficou martelando na minha cabeça o dia inteiro.

"Pois é. Minha relação com os animais sempre foi de amor e ódio." Eu mesmo, logo depois de ler o comentário do MAC

"Háháháhá. Boa essa. Tô virando musa inspiradora agora." Também eu. Depois de ler o comentário da Julz.

"Por favor, respeite o meu preconceito." Uilian, no final de uma discussão sobre porquê eu deveria tirar do rádio do carro meu cd do Nirvana acústico.

"Mas é que te ver demais dá um medo. Te ter demais me dá medo. Mas nunca poder te ver dá um medo. E nem ter você dá um medo que corta!" Não sei o nome, mas é uma música que tocou numa apresentação agorinha. Bateu no fundo essa...

Pois é. Me desculpem o post sem nexo. Mas eu fiquei o dia inteiro assistindo palestras da Semana da Economia e estou quebrado. Depois eu escrevo melhor. Lembrando que eu estou bolando isso terça-feira, a noite, na minha casa. Vou postar amanhã (quarta).
Do Svidániia!

segunda-feira, 20 de setembro de 2004

Mesmo morando em Jaú a minha vida inteira, sempre fui um tanto quanto "metropolitano". Do tipo "não muito campestre". Sempre gostei mesmo é de badalação, raves, museus, grandes exposições, movimentação, gente e últimas tendências gerais. Enfim, sempre tive um caráter um tanto quanto "de cidade grande" pra quem morava no interiorzão de São Paulo. Mas, desde que me mudei pra Campinas, a coisa anda mudando um pouco. Deixa eu explicar.
Ainda tenho bastante aquele meu sotaque típico (além do "r", continuo falando bastante "ti" e "di" ao invés de "thi" e "dhi"). Campinas também está longe de ser uma metrópole. O caso é que eu andei conhecendo bastante gente dessas "cidades grandes". E a questão é que eu acabo me sentindo o verdadeiro Chico Bento. Então resolví fazer uma listinha:

11 MOTIVOS PELOS QUAIS EU ME SINTO O CHICO BENTO

1-) Eu brincava de pega-pega, esconde-esconde, lesca (também conhecido por Taco) e outras coisas na rua de casa sem me importar em nada com movimento de carros. (a maioria das pessoas nem sonhavam em andar pelas ruas enquanto criança). Quando crescí um pouco, andava a pé pra praticamente todo lugar que precisava ir (inclusive baladas).
2-) Acho a coisa mais comum do mundo passar o dia em cima de uma árvore. Assim como, em cima dela, pegar alguma fruta, descascar com os dentes e comer sem descer ou lavar as mãos (há pessoas que achem isso completamente anti-higiênico e juram que não conseguem comer frutas que não venham de quitandas). Tanto quanto cortar cana no braço (arrancar a cana do chão) e chupar (tem gente que nunca nem tomou garapa!).
3-) Roubar frutas do vizinho, que tinha um pomar maravilhoso, era rotina minha de domingo. Voltava carregando as frutas na camiseta. (há quem considere qualquer tipo de roubo um ato horrível, e nunca se "aventurariam" na propriedade alheia).
4-) Prefiro andar descalço a calçar chinelos. Não tenho dor em andar no asfalto, nem por pedras (há quem coloque sapato quando acorda e só tira quando deita na cama).
5-) Já me arranhei todo passando por cercas de arame farpado. Também vivia com joelhos e braços ralados de cair em pedrinhas. Em nenhum caso havia a possibilidade de ações anti-sépticas. A não ser que o corte fosse realmente grande. (conheço gente que queria ir ao hospital quando ralou o joelho no asfalto).
6-) Não me assusto quando vejo uma capivara (uma amiga minha quase morreu a primeira vez que viu uma, aos 22 anos). Já brinquei com tatu, boi, vaca, cabrito, bode, galinha, pato, ganso, pavão, cachorro, gato (e há quem diga que não existe nada melhor do que video-game). Espantar jacaré e matar cobra não muda a minha rotina (e tem gente que tem medo de pegar no couro dos bichos).
7-) Já levei coice de cavalo, cabeçada de bode, bicada de ganso. Fui atacado por galinhas histéricas. Fugi de um boi me perseguindo. Tive meus dedos mordidos quando alimentava uma vaca (há crianças que eram proibidas de se aproximarem de cachorros bravos ou gatos eriçados).
8-) Prefiro milhões de vezes nadar em rios e lagos a piscinas. Também não vejo o menor problema em beber água direto da maioria deles (situações de risco máximo para alguns).
9-) Já dependei galinha. Já vi matarem porcos e cordeiros (a maioria come, mas acha o cúmulo o modo como são sacrificados os animais). Já desci ao galinheiro pegar ovo pra fazer omelete (e tem gente que não tem nem a capacidade de abrir a geladeira). Já tomei leite direto de vaca (há quem sofra uma diarréia terrível se fizer isso). Também comi carne de jacaré, tatu e capivara (deixa o IBAMA saber...). Assim como provei de várias frutas silvestres e ervas-da-mata (mesmo sabendo, depois, e da pior maneira, que algumas eram venenosas).
10-) Já andei de cavalo, boi, pônei e outros animais. E nada de animais de haras super bem cuidados. Tô falando daqueles de sítio. Não tão bonitos mas incrivelmente melhores e mais dóceis. Também não precisei que ninguém selasse os animais e/ou me acompanhasse. No final, dei banho, escovei a crina e levei pro estábulo (sim, cavalo que é cavalo dorme em estábulo, não em cochia).
11-) E, por último, já me acostumei a ouvir moda-de-viola e acho algumas até quem bem bonitas. Consigo entender as "gírias" caipiras e caboclas (claro que tem quem ache muito mais lindo saber falar francês).

E no final, eu não me arrependo de nada. Tudo bem que a maioria dos "causos" ficam um tanto quanto engraçados. Mas minha infância foi incrivelmente melhor do que as dos bobões que a passaram em playgrounds de condomínios e jogando video-games. Sim, isso é um manifesto. O próximo mané que fizer cara de nojo quando eu subir na árvore de amoras do IE vai levar na cabeça.

ps: pode parecer que não. Mas meu humor está maravilhoso. Leiam o post acima com o melhor dos espíritos.

sábado, 18 de setembro de 2004

Hoje eu estava voltando pra casa; dirigindo sozinho. Já havia bolado um post legalzinho sobre umas coisas engraçasdas que andaram acontecendo ultimamente (umas coisas meio Lei de Murphy, sabem?). Rodava na rodovia Itirapina-Jaú. Eis que minha bexiga me lembra de que quem toma 2 latas de chá gelado e um litro d'água entre as 2 da tarde e o horário do caso precisa parar para "se aliviar". Achei um posto razoável (é um restaurante, na verdade. Muito bom, por sinal) na beira da estrada e resolví parar. Depois de bater um papo com a Dona Celite, decidí que seria melhor eu esticar as pernas. Comecei a passear por um jardim atrás do restaurante.


Foi aí que aconteceu uma coisa que me fez mudar totalmente os meus planos. Dentre eles, o do post agradável. Eu confesso que estou achando esse post extremamente pesado. Pelo menos para mim é. Tanto que resolví contar. Mas, vamos aos fatos. Estava passeando quando percebí um som vindo de um canto do terreno. Parei para prestar atenção. Naquele canto havia um senhor. Ele empunhava (tocava, no caso) um acordeon e cantava Romaria. Pra quem não sabe, ou não se lembra, eu vou colocar a letra aqui. Quem já souber, pula para o resto da história.

ROMARIA
É de sonho é de pó
O destino de um só
feito eu
perdido em pensamentos
sobre o meu cavalo
É de laço é de nó
de gibeira o giló, dessa vida
cumprida a sol
Sou caipira Pirapora
Nossa Senhora de Aparecida
Ilumina a mina escura e funda
o trem da minha vida
O meu pai foi peão
minha mãe solidão
meus irmãos perderam-se na vida
a custa de aventuras
Descasei, joguei
investí, desistí
se há sorte eu não sei
nunca ví
Me disseram porém
que eu viesse aqui
pra pedir
de romaria e prece
paz nos desaventos
Como eu não sei rezar
só queria mostrar
meu olhar, meu olhar, meu olhar

Que essa música é maravilhosa, ninguém nega. Que eu a adoro, também não é novidade. Mas alguma coisa naquela hora fez meu corpo se arrepiar e meus olhos se encherem d'água. Aquele senhor não parecia que tocava, ele paria a música. Tudo era feito com uma dose de sentimento sobre-natural. Cada verso era sentido, remoído e depois cantado. Havia uma melancolia na voz dele. Uma tristeza como a de quem se ajoelha pra pedir perdão. E ele não tocava para ninguém (acho que sequer me viu por perto). Aquilo soava como uma confissão de uma alma. E eu ouví. Ouví a emoção de quem cantava com o poder de um deus uma música que, por sí só, já é divina. Eu sei que estou exagerado demais. Mas agora eu realmente gostaria de ser um poeta. Não acredito que exista ninguém além de um poeta que possa transcrever a cena.

Eu ví. Eu ouví. Eu vivi. E posso confirmar que esses vão ser os minutos de que eu me lembrarei por um bom tempo. Acho que enquanto alguma parte de humanidade ainda correr em mim, essa cena ficará na minha memória.

ps: sou piegas, mesmo. Vai encarar?


quarta-feira, 15 de setembro de 2004

Os dias andam me pegando de surpresa. Coisas estranhas andam acontecendo. Mas eu acredito que esse nó na garganta passe dia ou outro. Eu espero que isso aconteça. Eu quero que isso aconteça.
Só que ainda vai demorar um pouco até esse dia chegar. E até lá eu sei que tenho mais coisa pra enfrentar. Algum autor que não me lembro, escreveu não sei onde que ele se sentia como um velho cavaleiro beirando à morte. Que já havia se cansado de lutar por toda a vida e que queria o descanso. Mas sabia que, como todo guerreiro, seu destino era o de morrer em meio a uma batalha; pois estaria ansião demais para continuar bravo nela.
A minha batalha nem bem começou direito. Mas eu não quero travá-la. Muito sangue terá de ser derramado e muitos castelos vão tombar. E já vi muito sangue e vaguei por inúmeros escombros para conquistar o que hoje tenho. Só que, também, sei que meu destino está nessa adiante. É uma questão de honra. Mas minha alma sangra, meu corpo é fraco e minha mente é longe. Algum dia eu descubro o segredo disso tudo. Até lá, que corra o sangue. Inclusive o meu. Principalmente o meu.

Agora vamos falar não-tão-sério-assim. O post do final de semana foi pro vinagre. Num tive paciência de reescrevê-lo. Eventualmente eu posso citar uma coisa ou outra. Mas é melhor assim. Se isso começasse a acontecer, o blog iria ter outra cara do que a que eu quero que tenha.
Outra coisa: eu odeio professor que marca prova e não dá no dia. Tudo bem que eu pago o maior pau pra aula do mané. Mas não gosto de ficar estudando que nem uma morsa e isso pra nada. Sem problemas. Um dia eu me vingo. Ele ainda vai passar muito perto do meu pé no corredor. Já aconteceu antes, com outros professores.

"Clarisse está trancada no banheiro. E faz marcas no seu corpo com seu pequeno canivete. Deitada num canto, seus tornozelos sangram. E a dor é menor do que parece. Quando ela se corta ela se esquece. Que é impossível ter da vida calma e força."

segunda-feira, 13 de setembro de 2004

Eu tinha acabado de fazer um post muito do longo sobre o meu findi. Deu pau no explorer e eu perdí tudo. Só de raiva, agora eu posto amanhã. Vou refazer em casa, deixar salvo em disquete e colocar depois.

Grato pela compreensão.
Pau no cu do blogger.

sexta-feira, 10 de setembro de 2004

Eu realmente não estou inspirado pra postar. Meio cansado, basicamente. Quero deixar alguma coisa antes de só voltar a ver um computador com internet na segunda-feira. Mas, realmente, eu estou sentindo é falta do meu MSN Messenger. Várias pessoas lá que eu preciso falar e não encontro na vida real. Sei que, pelo menos, o final de semana elas passam na net. Bom, a gente supera...

Tirei várias fotos ontem. Uma delas já postei no flog. As outras, com o tempo.
Agora, me desculpem. Eu fico por aqui. Realmente não estou inspirado e só acabo escrevendo coisas nonsenses. Só uma última coisinha: receber um telefonema de "feliz aniversário" do pai do Leo (ligando da Bélgica, vale lembrar) me deixou feliz. Sei lá porquê. Só deixou!

Faz tempo que não faço isso. Mas vou deixar uma musiquinha.

Corsário
Elis Regina

Meu coração tropical está coberto de neve
mas
ferve em seu cofre gelado
a voz vibra e a mão escreve
mar
bendita lâmina grave
que fere a parede e traz
as febres loucas e breves
que mancham o silêncio e o cais

Roserais
Nova Granada de Espanha
por você
eu teu corsário preso
vou partir a geleira azul da solidão
e buscar a mão do mar
me arrastar até o mar
procurar o mar

Mesmo que eu mande em garrafas
mensagens por todo o mar
meu coração tropical
partirá esse gelo
e irá
com as garrafas de náufragos e as rosas
partindo o ar
Nova Granada de Espanha
e as rosas partindo o ar

quinta-feira, 9 de setembro de 2004

Êba! 9 de setembro: meu aniversário! Tudo bem, eu sei que não posso enganar a maioria q sabe q eu não me animo muito com isso. Não que não goste. Muito pelo contrário. Mas também não é aquelas coisas que se costuma ver por aí.

Enfim. A festança começou hoje bem cedinho. O Léo me liga antes das 6 da manhã (ele queria ter certeza absoluta de me acordar no meu aniversário.). Me arrumei ouvindo Elis Regina num belo dum volume alto (meus vizinhos devem ter me amado). Mas o legal foi a festinha que o pessoal fez. Eu cheguei pra pegar eles de carro e entrou uma trempa com bolo, velas (que eles queriam acender DENTRO do carro), chapeuzinho do Pooh e tudo mais. Matamos a aula de Macro (matar? eu num iria pra aula de qqer maneira, mas...) e ficamos comemorando.
Ganhei um sapo de pelúcia vesgo. Ah, e acende uma luzinha na barriga. Gostei. Passar o meu aniversário com os meus grandes (pra não dizer melhores) amigos foi muito do bom.

Espero que o dia continue bom. Ah, passou a vermelhidão da pele e a dor nos braços. Êba!!!

ps: MAC (que escreveu no comment anterior), quem eh vc? tentei entrar no endereço de page ou mandar e-mail mas tava tudo nulo. Identifique-se, por favor. Se não quiser em público, manda um e-mail! Pelo menos pra eu poder saber quem foi que me comprimentou!!!

segunda-feira, 6 de setembro de 2004

Eu tenho muita, mas muita, coisa pra escrever. Se eu fizer isso, vai dar, no mínimo, assunto pra um ou mais posts enormes. Então vou tentar resumir tudo a ponto de comentários sobre a vida propriamente dita. Não por nada. Mas uma das coisas que eu teria que falar é que eu ando me surpreendendo com a minha falta de paciência com o mundo, em geral. Tô de saco cheio, em português bem claro.

Eu não sei, exatamente, o que vêm acontecendo comigo. Mas eu ando me sentindo como que um adolescente novamente. Com todas as neuras, dores de cabeças e noites em claro. Eu já passei por isso. Não gostei nem um pouco. E quero, desesperadamente, que essa minha fase "down" acabe.

Eu odeio não ser levado a sério. Mas o que realmente me irrita é falar com alguém e sentir que ela fala com um sarcasmo enorme na voz. Como que, constantemente, tirando sarro da sua cara. Eu sei que pode muito bem - e no caso em questão, é - o jeito da pessoa falar. Mas, nos meus dias de mau-humor (que são frequentes), eu tenho vontade de socar a criatura até o nariz dela sair pela nuca.

Ando tendo vários desejos violentos ultimamente. Mas me recuso a fazer qualquer tipo de arte marcial. Eu quero desesperadamente bater em alguém. Apanhar está fora de cogitação. Como o meu irmão anda muito empenhado em passar de nível no Kung Fu, eu vou esperar o gato entrar na sala.

Meu pai chegou bufando comigo hoje. O motivo da revolta era eu ter deixado o carro quase que sem gasolina. Mas ele realmente ficou bravo quando eu respondí o porquê de ainda não tinha abastecido o carro: "você não me deu dinheiro". Ele, inocentemente, acha que o que eu ganho com a bolsa do CNPq deve, milagrosamente, dar pra pagar o computador e me sustentar.

Todo mundo vive dizendo que eu como feito um ogro e que não engordo de ruindade. Eu nunca levei isso a sério. Hoje eu conhecí um carinha na net. Fazia coisa de algumas horas que a gente conversava e ele disse "poxa, você come, ein" (ou qualqer coisa parecida). Me fez repensar meus hábitos alimetares (ou alimentícios, não sei ao certo e me recuso a consultar uma gramática pra postar em blog).

Alguém consegue me explicar o efeito terrivelmente entristecedor que eu ando tendo quando ouço "Jeremy" do Pearl Jam?

Faz um tempo que eu, digamos, conheço uma "projeção". Conhecí, junto, quem a criou. Eu, realmente, queria saber quanto do personagem e quanto do autor eu conhecí. Não acredito em desvincilhamentos psicológicos totais entre um e outro. Mas me amedronta a diversidade aparente entre eles.

Eu quero plantar uma bomba na minha casa.

Ontem teve show do Jota Quest em Jaú. Fui pro show achando que seria uma porcaria. Foi até que bom. Muito bom, por sinal. Mas faltou alguma coisa pra noite ser considerada boa, no geral.

Minha avó está, digamos, no bico do corvo. Eu acharia extremamente interessante se ela deixasse pra "fazer a passagem" em qualquer outra data que não a semana do meu aniversário. Conhecendo a peça como eu conheço, acho que é de propósito.

Eu odeio meu vizinho. Quero voltar pra Campinas imediatamente. Só não volto porque lá não tenho internet.

Vou ficar por aqui. Já está maior do que tinha planejado.

sábado, 4 de setembro de 2004

Eu teria muita coisa desagradável para falar. Mas não vou. Ontem foi aniversário da minha tia. Foi bom porquê eu reví, após um tempão, a minha prima.
Agora, o relato que eu vou colocar aqui aconteceu com ela. Eu não deveria espalhar esse tipo de coisa, mas ela não sabe do blog e, provavelmente, não vai saber tão cedo. Ao final da história, eu não sabia se estava rindo da situação, em sí, ou de imaginar a cara da minha prima, bufando de ódio, e quase que saltando do balcão pra descabelar a atendente. Agora, sem mais delongas, vamos aos fatos:

Minha prima está, visivelmente, abaixo da altura e acima do peso ideal. Isso é fato. Numa tentativa desesperada de perder peso, ela ficou sabendo de um chá para emagrecimento que vendia numa lojinha de produtos naturais da cidade. Toda bela e formosa, ela foi até o estabelecimento. Era uma loja mesmo pequena, com alguns produtos expostos em prateleiras, um balcão ao fundo. Atrás do balcão tinha uma escada em espiral que conduzia ao andar superior, onde um garoto cuidava do estoque. Daqueles que a vendedora pede o produto e ele joga lá de cima. Até aí, tudo bem.
Minha prima resolveu passar na loja antes de ir pra faculdade, pouco depois das 18 horas. Imaginem que o lugar fervia de gente. Ela chegou, tentando se passar por transparente de vergonha, e foi até a vendedora. Falou do bendito chá e pediu que ela lhe pegasse um. A vendedora se dirigiu até a base da escada, virou para o alto e gritou (isso mesmo, gritou): "ow, (nome do menino), desce um chá pra gordo!".


E ainda tenho que dizer que, até hoje, ela ainda não teve coragem de tomar o chá.

quarta-feira, 1 de setembro de 2004

Eu realmente não tenho nada de útil para postar. Então vou colocar algo em que fiquei pensando na última meia hora.

Seguinte. O nosso professor de Economia Internacional II pediu pra avisar que, se a classe inteira concordasse, ele não daria aula. Dessa forma, poderíamos, todos, assistir à palestra sobre Getúlio Vargas que acontece, hoje, no auditório do instituto. A classe inteira concordou. O professor ficou "admirado" pelo nosso interesse para com essa figura da história brasileira. Como eu sou um aluno super aplicado, resolví matar a palestra e ler e-mails. Vinte minutos depois eu saio para ver o estado da dita. Encontrei duas pessoas da minha classe no auditório. O resto, jogando sinuca, ping-pong, conversando, comendo e fazendo quaisquer outras atividades que não fosse relacionada, nem de perto, com o GV.
Minutos depois, quando eu volto aos computadores, vejo o professor passando, super tranquilo, com a secretária.

Agora eu me pergunto: quem é mais vagabundo??