terça-feira, 18 de janeiro de 2005

Meses atrás, logo que cheguei em casa, me sentei ao piano. Comecei a tocar uma valsa e continuer amiúde. No começo, e acho que já tocava essa mesma valsa antes de chegar em casa, ela me parecia perfeita. Mas, aos poucos, fui vendo que faltava alguma coisa. Olhei de perto a partitura e percebí que deveria ser tocada à 4 mãos.

Mesmo assim, continuei tocando minha parte. Toquei por dias a fio esperando que sua chegada completasse a melodia; que compilasse minha harmonia. Mas você nunca veio. E, sozinho, a música se aquietou. Esfriou, esmoreceu e morreu.

Ainda hoje eu ouço os ecos daquela mesma valsa, batendo por entre as madeiras de meu piano. Mesmo que cada dia que passe está mais longe da última vez que eu toquei, o eco demora pra morrer. Como se, mesmo tendo parado de tocar, tivesse mantido o pedal e impedido o som de se abafar.

Mas, como eu disse, eu não toquei mais. E não toco, até que tenha tuas duas mãos ao meu lado. Mesmo que, para isso, seja preciso esquecer o ritmo.

Nenhum comentário: