Acordado há três horas. Quatro dormidas. A cabeça dói de tanto estudar. A vista embaça. Copos de café e pratos de doce se misturam com cigarros, livros, papéis, anotações. Ao lado, cds, poemas. A carne não diz do que se trata. O cérebro não consegue mais funcionar direito. Confundo dados econometricos com juras de amor. Relembro do passado e do futuro que não aconteceu. Revejo os erros e saio tomar banho. Volto para encontrar tudo na mais perfeita ordem. Tudo como havia deixado. Nem um telefonema, nem uma carta. A fome bate e não se sabe o que fazer pra comer. Matar a fome do corpo é deixar a alma morrer de sede. Os dedos não têm mais a mesma agilidade. A perna teima em se mexer. Os braços buscam um lugar pra se apoiar. Olho pela janela e vejo o vento levar as folhas da rua. Em vinte dias já é verão. Preciso de férias. Queria que a campainha tocasse. Releio cartas e penso no que fazer. O que o orgulho fez de nós?
Santa Maria, Mãe de Deus, rogai por nós...
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