Tenho pena das formigas que comeram do prato que deixei ontem pra ti, à espera da tua volta: alimentaram-se do vazio daquilo que era para ser e não foi.
segunda-feira, 13 de abril de 2009
Um pouco de chuva e o tempo passando. O jazz baixo que vem do som parece embalar o vento que cruza a sala. Sem os cachorros do vizinho latindo, a rua fica quieta de dar aperto no peito. E lembro bem que tipo de aperto é: o aperto de te ver quieto, pensando e não parando de me encarar. Mexendo, quem sabe, um pouco aqui e alí no cabelo. Fumando um cigarro e voltando aos teus infinitos livros. Mas pouca coisa muda. Pouca coisa mudou desde então: chuva, tempo, jazz e vento.
segunda-feira, 6 de abril de 2009
- Que dizer?
- Que meu cheiro continuaria em tuas mãos.
- Ele se foi, com a necessidade de banho e água quente.
- Que minha memória continuaria em tua mente.
- Resistindo ao esquecimento de lugares à meia-luz?
- Ou que ainda restasse a vontade de cairmos juntos no sono.
- Quando é verão, não tenho vontade de dormir.
- Verão é quando gostávamos de ficar vendo as borboletas.
- Pena que elas morrem quando chega o inverno.
- Achei que reler cartas antigas te colocaria em meu alcance.
- Estou fugindo de anacronismos.
- Não existem anacronismos. O que era ainda é: ainda gosto de você o mesmo tanto.
- É uma pena o inverno ter chegado pra matar todas aquelas borboletas...
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