quinta-feira, 28 de outubro de 2004

Hoje já acordei. Comí, lavei, corrí e dirigí. Parei, sentei e tomei um copo de café olhando o sol sair escondido entre as nuvens. Mexí no cabelo, empunhei a mochila e comecei a andar sentindo o ar frio cortando por debaixo da camiseta. Conversei, lí, estudei. Contei os minutos para poder sair no sol.
Almocei com os amigos e contei besteiras, casos, piadas. Cochilei. Aluguei um livro e lí. Voltei para casa ouvindo som no último volume do carro. Tocava Rufus. Cheguei em casa e guardei a duplicata do aluguel. Troquei de roupa e saí andar pelos cantos da avenida. Comprei o jornal. Sonhei com um cachorro prata que me espreitava no canto da esquina. Sentí o vento batendo em minhas costas e percebí que era hora de voltar para casa.

Tentei ler mais um pouco e acabei saindo para dar mais uma volta. Comprei cigarros, guardei no bolso e ainda não tirei. Tomei sorvete enquanto andavam na rua vestidos em casacos. Lavei roupa. Limpei a casa. Guardei louça. Separei o importante do desnecessário. Conferí o dinheiro - vou precisar parar no caixa eletrônico antes de ir pra faculdade, amanhã. Voltei a sair. Comprei pão e reencontrei uma grande amiga no caminho de volta. Ela faz academia na frente de casa e eu ainda não sabia. Que coisa é a distância, que mesmo morando tão perto o tempo nos põe tão longes?! Jantei ouvindo Elis e lendo Poe. Pensei em Donne mas o livro não está aqui comigo. Quanto mais do que é meu vão tirar de mim e não devolver?

Tomei outro banho ouvindo estudos de Bach. Liguei para casa e falei rápido (não há assuntos pertinentes). Assistí televisão enquanto estudava. Bebí vinho tinto andando de um lado para o outro da sala. Contei as horas e elas não haviam passado. Ví a lua alta no céu e lembrei. Fiz contas e planos. Fiz outros planos. Andei do quarto para a cozinha procurando o que não estava aqui. Nunca esteve. Coloquei Nirvana pra tocar e me sentei no sofá. Contei os minutos passarem. Não passavam.

Já ví. Já viví. Já me alimentei. Já sonhei. Fiz planos. Não fiz as malas. Risquei mais um dia do calendário. Já senti o vento e o sol e a brisa e a lua. Já sentí a hora passar. Já contei os minutos sem eles passarem. Já relí minha vida e reví onde errei. Já orei. Já pedí. Estou cansado mas não vou conseguir dormir.
Só não morrí de amor.
Ainda....

terça-feira, 26 de outubro de 2004

Estudando FEB. Sem muita paciência pra postar. Estou inquieto. Portanto, deixo aqui um texto do livro que inspirou o título do blog.

"Qual é a história que eu aqui quero contar? De gente que é muito esquisita, de criança que é muito solitária, de um Menino que sabe muita coisa, e de que saber é muito perigoso.
O estranho é que sei sem ter conhecido, penso o que ainda nem foi posto em palavras; mais estranho ainda, o que invento pode mais tarde acontecer: quem verdadeiramente dita as falas, quem comanda nesse palco?
Eu sou narrador e personagem, eu escrevo o roteiro, sou eu quem salta entre os cenários e observo os bastidores.
Mas às minhas costas sopra essa voz mais forte do que eu: o anjo que fia e tece e borda, e me prende nesse enredo. Não calculei bem os seus poderes, nisso me perdi.
Fiz um pacto e executei os rituais, mas começo a ver que mais do que narrei estou sendo narrado: pois não parei simplesmente de crescer. Estou mudando de muitas formas. Minha altura continua a mesma, mas por dentro eu ainda cresco.
Um dia não vou mais caber em mim? Vou explodir ou, como cobra troca de pele, eu trocarei de máscaras? É isso que fazem os adultos com os quais não quero me parecer?
Sofro na carne o desconexo e o desencontrado. Quando me perguntam respondo invenções; da realidade pouco falo - ninguém iria mesmo acreditar.
(...)
Não suporto ser privado disso que desejo tanto, e que me torna especial: ter o que os outros nem enxergam. Poder me alegrar sem medo de que acabe.
(Foi na hora do escurecimento, em que não se divisam bem os contornos, a hora barrenta - essa é a minha hora, a minha vez é essa. É quando sai do lado avesso o povo da penumbra que fala a minha língua e arma os meus pensamentos)"
Lya Luft - O ponto cego

Outra coisa: já entrei em contagem regressiva pra Belo Horizonte....

domingo, 24 de outubro de 2004

Algumas considerações sobre o final de semana.

- O lugar é abafado, a fila é muito lenta e longa e a decoração é horrível. Vá sem blusa de frio, leve bebida no carro e não olhe para as paredes. Tirando esses três fatos (nem um pouco importantes, por sinal) o lugar é MARAVILHOSO! Já ví que vou começar a bater carteirinha naquele lugar. E o melhor de tudo: só 10 reais de consumação! É perfeito...
- Saio eu e um amigo meu da economia. Achamos que, pelo estilo do lugar, não iríamos, pela graça dos deuses, achar ninguém do IE. Ledo engano. Como economista é que nem praga, tinha mais gente lá. Pelo menos eram pessoas super legais. Nunca tinha conversado com nenhuma delas. Mas fiz boas amizades ontem.
- Eu tenho medo de lésbicas. Juro que tinha uma, ontem, querendo me bater na balada...
- Conseguí andar sozinho por Campinas e não me perder. Pra quem me desdenha com isso, saiba que é um fato memorável.
- Levei ontem o que eu posso considerar de cantada perfeita. Primeiro um olhar "te quiero", seguido por passar por perto e lascar o beijo. Perfeito. Sem enrolações, sem verborragias, sem frescuras. Parece uma coisa meio piranha. Mas esse negócio de ficar no "xaveco" a noite inteira me irrita. Gosto de objetividade. Deixo os papos profundos pra quando procurar alguém pra me casar....
- Definitivamente, banheiro de festa não é lugar pra se discutir política. Falo isso porque havia dois senhores discutindo, fervorosamente, o contexto econômico brasileiro. Como todo curioso/fofoqueiro que sou, ouvi a conversa. Nunca ví falarem tanta merda numa mesma frase...
- Se não tem tu, vai tu mesmo. Mas, ao primeiro personagem, que eu te pego, te pego...
- Definitivamente não venha com pedidos de sexo casual em cantos obscuros da festa. É pedir pra levar fora. No mínimo...
- O que era aquela gorda de blusa listada horizontamente e cabelo moicado vermelho??? Juro que vou ter pesadelos por, no mínimo, uma semana com ela...

Por enquanto é só. Depois eu posto melhor. Agora estou caindo de sono.

Frase da semana, proferida por um amigo meu, agora há pouco no telefone:
"Já fiquei com cara que tenho quase certeza que era louco. Já fiquei com surdo-mudo, também. Semana passada eu fiquei com um gago. Eu sou, basicamente, a Madre Theresa de Calcutá das bichas de Campinas."
Rí uns 5 minutos seguidos depois que ele me falou isso.

quinta-feira, 21 de outubro de 2004

Não sei, ao certo, o que posso te dizer para tentar fazer do errado certo. Nem sei o motivo de me sentir tão bobo assim. Mas a verdade é que não poderia olhar nos teus olhos hoje. Amanhã, talvez. Provavelmente quando o assunto estiver esquecido. Não me envergonho de ter feito o que fiz. Matei o que era velho para recriar um espírito novo, renovado. Drenei meu sangue e minhas lágrimas para enchê-los de novo, com o néctar puro da tua vida e de teus dentes.
Daí você chegou. Não me disse do teus dias e me perguntou da minha alma. Chorou por mim por cima de meu peito cru. Foi essa lágrima que me cortou mais do que a espada. Pois esta, não conseguiu passar da carne. Tua faca me perfurou a alma e me fez perceber que, inconsientemente, havia lhe feito mal. E me envergonhei disso. Dei-lhe um chicote para que me punisse. Mas, ao invés do castigo, você me deu um beijo, acariciou meu rosto e me abraçou.

"Eu estou me sentindo um idiota". Mas o idiota aqui sou eu. Aquele que não aprende a não manchar a roupa dos que me abraçam. Pois, pela primeira vez em muito tempo, alguém me negou a compaixão e me mostrou sincero. Eu poderia começar a chorar agora. Mas você veria as marcas das lágrimas (você consegue ver muito além até do que imagina estar vendo. Muito além até do seu ponto cego).

Não quero nunca mais te ver sofrer. Dou meu sangue pela doçura de teu sorriso. Pois, por mais distantes que a vida nos tenha deixado, é teu suspiro que me acorda de manhã. E sua voz a última coisa que ouço antes de cair no sono.

terça-feira, 19 de outubro de 2004

Desculpem a franqueza. Mas, quando alguém (eu) é pra nascer cagado, realmente nasce. Também posso dizer que é outra comprovação de que, em alguma encarnação passada, eu parei na frente da cruz, taquei uma pedra pra chamar atenção e, assim que esta foi conseguida, fiz um belo de um bundalelê.
A história é a seguinte. O antigo morador do apartamento em que estou morando no presente momento saiu e deixou o imóvel impecável. Exceto num lugar em que ninguém constuma conferir na revista: os ralos, em geral, da casa. O ralo da pia entupiu semanas depois que eu entrei. Desmontei e limpei. Na ocasião, desculpas àqueles de estômago fraco, eu encontrei um belo de um tufo de cabelos. Como eles foram parar lá, eu ainda não sei. Acho que a namorada do infeliz levava a sério aquele negócio de que lavar os cabelos no tanque com água gelada faz bem. Vai saber. Remontei e até hoje ele não voltou a dar problema. Afinal, eu sou da idéia de que lugar de sa lavar o cabelo é no chuveiro e as louças é que é na pia da cozinha.
Falando em ralo do chuveiro, alguns meses depois foi ele quem entupiu. Dessa vez, o problema era menos nojento. O mané havia trocado a tampa do ralo por uma, bem barata, por sinal, mas que não dava vazão de água suficiente. Teoricamente, era pra eu ter comprado outra tampa de ralo e o problema estaria resolvido. Bebi esse dinheiro e acabei resolvendo de um jeitinho um tanto quanto "brasileiro". Levantei um pouco a borda o mesmo. A água desce normal, e, quando eu sair, volto o ralo ao seu normal. Azar do próximo trouxa que entrar aqui.
Até aí tudo bem. Estava conseguindo me virar bem com esses transtornos, um tanto quanto rotineiros, digamos, do meu apartamento. Eis que, semana passada, foi a vez do ralo da pia do banheiro entupir. Tentei desmontar a peça pra lavar e descobri que algum palhaço remendou quase tudo com durepox. O que significa que, pra desentupir aquela bagaça, ia ser na base da química. Tentei, primeiro, com uma coisa leve: iogurte. Sim, lembrem que iogurte é feito de bactérias, que vão decompor o material orgânico do meu ralo. Não deu certo. Tentei a coca cola quente (como eu não sou chegado em refrigerante, não senti nenhuma pena em virar aquela garrafa no ralo). Também não deu certo. Era hora de uma atitude mais drástica. Ia tentar com aqueles desentupidores de pia que vendem em supermercados. Se não desse certo, ia pedir pra alguem roubar alguma coisa de algum laboratório de química (eu podia derreter o chão do prédio inteiro, mas que ia descer água pelo ralo, ah se ia!).
Comprei todo feliz o produto (me lembrando dos meus dias de criança com um laboratório júnior de química, alguns produtos roubados do armário de casa e, dias depois, um gato intoxicado. Intoxicado, mas não morto; pra desespero do restante da família que, também, não via a hora de enterrar o bichano). Fiz tudo conforme as especificações. Terminado o serviço, resolvi fazer o teste: liguei a água ao máximo e ví, maravilhado, ela descer inteirinha, sem fazer nenhuma pocinha na pia. Me livrei do meu lado ambientalista e fiquei, estuperfato, vendo a pia vazar água. No outro dia, eu acordo e vou me aprontar. Como continuava bobo com a "qualidade" do meu serviço, deixei a torneira abundantemente ligada. Eis que, minutos depois, eu sinto alguma coisa molhada no meu pé. Olhei pra baixo e vi água imundando meu banheiro, caindo da parede da pia. Fulo da vida, fui ver o que havia acontecido.
Desmontei a peça de proteção na marra (martelo, é o termo certo). Olhei e ví o que tinha acontecido. O encanamento tinha sido remendado de uma forma bem porca. O fato é que, o que sustantava a não-vazao da água era uma fita de "plástico" que fazia as vezes de uma conexão decente. Claro que o ácido do produto derreteu aquela porcaria inteira.
Agora é só descer, assim que eu tiver tempo, pra quebrar o maior barraco com o dono da imobiliária (a imobiliária fica no térreo do apto). Porque, de forma nenhuma, eu vou pagar o olho da cara pra consertarem um serviço que nem sequer foi feito. E mesmo se fosse, meu dinheiro está sendo todo revertido à um propósito maior. Se alguém acha que eu estou fazendo caridade, se enganou. Pretendo viajar no feriado, e, consequentemente, o dinheiro vai comigo e não volta. Mas, como todo bom economista deveria pensar, ao menos eu estarei estimulando a economia do lugar.

E, se alguém souber de algum encanador que faça esse serviço grátis, me avisa. Aquele balde embaixo da pia está, realmente, RIDÍCULO.

domingo, 17 de outubro de 2004

Eu geralmente costumo me manter calmo e extremamente controlado. Mas não posso evitar que, em determinadas circunstâncias, minha raiva aflore. Talvez essas explosões de raiva sejam até consequência de tentar me manter sereno por muitas vezes. Mas o que realmente me aborrece é ver que todos se espantam com isso. Algo como se eu tivesse obrigação de ser uma boa e serena pessoa e, além de tudo, extremamente boa companhia independentemente do dia. Mas eu realmente preciso de alguns dias de egoísmo. Pensar em no que estou sentindo e não dar bola pra absolutamente ninguém.
E, ultimamente, as coisas não andam nem um pouco fácies pra mim. Eu sempre fui aquele que entendi e atendi ao "piti" de todos à minha volta. Me mantive calmo quando o barco estava afundando e achei uma saída. Controlei tudo e todos para que o mal passasse e tudo voltasse (ainda não voltou, mas está voltando) ao seu contexto normal. Acabou que fui tachado como quem não estava ligando pra nada. Que minha vida estava às mil maravilhas, independente do que acontecia à minha volta. E não era nem um pouco o caso.
Daí que tudo acabou acumulando, acumulando e resultou no que aconteceu hoje. Ultimamente as brigas eram cada vez mais usuais e piores. Estavam querendo que eu fosse mais do que sou e me desse mais do que já me dou. Não sou perfeito. Nem tenho pretenção de ser. Só esperava que se lembrasses de que eu não sou nenhum robô desprovidos de sentimentos. E, definitivamente, me irrita a pergunta "você está bravo?".
Nessa hora não adianta relaxar. Parti pra briga e a discussão foi realmente feia. Quase uma hora depois, havia terminado. Eu, aqui, jogado no meu canto. Ainda estava cheio de raiva e tudo mais. Acabei recebendo um convite mais do que propício pra ir jogar capoeira com uns conhecidos, mais especificamente maculelê (luta com armas brancas). Podem me chamar de louco e tudo mais. Mas jogar foi a última coisa que eu fiz. E fiquei feliz em encontrar mais alguém na mesma situação. O pessoal estranhou a violência num jogo tão bonito e pacífico. Mas nós dois precisávamos descarregar as raivas (mesmo que um não soubesse o que estava acontecendo com o outro). Bati muito e não apanhei pra menos. Acho que, no fundo, maldizia que os facões e navalhas não tinham corte. Conseguimos quebrar a ponta dos fações quando eles bateram no ar; pra se ter uma idéia da situação.
Ao final da luta, estavamos os dois quebrados e ensangüentados. E, por incrível que pareça, razoavelmente contentes. Largamos as armas e nos abraçamos (foi algo como um gesto mútuo de agradecimento por fazer o que ambos precisávamos). O resto do pessoal, assustado, resolveu deixar o resto da roda pra outro dia (acho que temiam que aquilo virasse alguma coisa tipo "Clube da Luta"). Levamos quase meia hora pra lavar o sangue que havia respingado no chão. Estou com uns 2 cortes no rosto, vários hematomas pelo corpo, outro corte no ombro e um feio no tornozelo. Esses já estancaram. Mas o nariz ainda está sangrando.
Não vou dizer que a raiva passou totalmente. Mas já melhorou. Quem sabe, com o andar da carruagem eu acho provável, amanhã não tenha mais?!

ps: Não estou mentindo. Desculpas àqueles que estranham ou até estejam espantados com o depoimento. De coração, não é esse o meu objetivo aqui. Mas eu precisava poder surtar hoje. Amanhã, quem sabe, eu melhore.

ps2: conversei agora (tempos depois de escrever o post) com o Seginho (quem lutou comigo). Realmente, a gente estava passando por situações parecidas.

ps3: escrito algumas horas depois do post. Voltei agora do hospital. Meu tornozelo não parava de sangrar. Precisou dar pontos. Mas os cortes no resto do corpo, se não passarem até amanhã, em poucos dias saram. E, os da gengiva, possivelmente vão virar aftas nos próximos dias. Ainda assim, não me arrependo de nada.

Ouvindo Kidneythieves - Before I´m dead; e outras músicas deles.

sexta-feira, 15 de outubro de 2004

Algumas considerações sobre o dia de hoje.

Hoje eu vou olhar fundo para as estrelas. Inspirarei forte e gritarei à ira dos loucos. Se um dia for como eles, quem sabe o peso de minha alma caia ao chão. Depois disso, eu quero deitar e dormir ouvindo a Lua me cantar canções de ninar. Quem sabe ela consiga ocupar o lugar que teus braços deixaram há 5 anos. Tenho frio, e você não está mais aqui pra me aquecer e fazer dormir.
Legítima defesa. Se eu não matar minha esperança; corro o risco de ser morto por ela. Mas a chance de uma vida parece um pecado doce demais. O que faço ou que devo fazer, prefiro nem pensar. Não agora. Imagino que esse seja o momento exato de sentir o vento bater em minhas costas e seguir a trilha à minha frente. Sei que não vou terminar sozinho. Ao menos não tanto quanto agora. Ao menos não tanto quanto não deveria estar.

Agora há pouco lavava louça. Quebrei um prato e cortei meus dedos. O corte ainda sangra e mancha o teclado do computador. Ainda assim, a dor e o sangue me fazem lembrar do que é feito a vida: daquilo que arde à pele, mas é doce ao paladar. Sei que parece bizarro. Mas gosto de me ver sangrando. Há muito tempo não corto minha própria pele para que isso aconteça. A vida e o acaso se incumbiram dessa tarefa. Talvez os deuses estejam fazendo isso para me ensinar como deveria viver minha vida. Acredito que vou secar antes que isso aconteça. Quem sabe, então, eles resolvam derramar minhas lágrimas.

Detesto ouvir sons de desapontamento em sua voz. Me fazem imaginar o que aconteceria se toda a verdade fosse por ti ingerida. Mas não vou negar que sei que isso é um modo de tentar me manipular e evitar o inevitável (aquilo que mudaria todos os seus "planos perfeitos"). Me deixa profundamente magoado. Por quê não conseguimos mais ser sinceros um com o outro? Que terá acontecido no meio do caminho? De quem é a culpa?

Sonhei com teu anjo hoje, obscuro. Ele me trazia luz. Mas me deixou uma espada. Eu tenho mais uma última batalha a travar antes que possa tocar as penas das asas. Daí, quem sabe, tua luz quebre minha armadura e ilumine meu caminho. Estou fatigado e padeço a cada minuto. Mas a sensação de teu toque em meu rosto me faz levantar da cama lutar o que preciso. Não ligo se tiver que te amar coberto das feridas que você nunca limparia. Em teu abraço encontrarei meu bálsamo.

"A vida é feita de batalhas. Nenhuma é vencida ou perdida. Você apenas limpa as feridas, pega tua espada e volta pra casa. Sorte de quem tem um amor à espera. Aos que não o tem, cuidam os deuses para que tenham o conforto necessário." ditado antigo. autor desconhecido.

quarta-feira, 13 de outubro de 2004

Como se descobre que a secretária da academia é uma topeira.
A academia que eu freqüento tem um sério problema de estacionamento. Primeiro que não tem muitas vagas para carros. Depois que o povo deixa de lado a questão do "estacionar" em detrimento do "amontoar" os veículos. Então, vira e mexe, para alguém ir embora, tem-se que retirar boa parte dos carros estacionados. Como eu moro, literalmente, ao lado; não sofro desse mal.
Eis que ontem, para uma menina sair, a secretária estava procurando o dono de um fiesta preto. Como eu converso bastante com ela, e já falei que moro na mesma avenida da academia, imaginava que ela já havia se tocado dos meus modos de locomoção. Daí aconteceu o seguinte diálogo
ELA (virando-se para esse que vos fala): Você vem de carro para a academia?
EU: Não. Venho de burro.
Daí que ela ficou me encarando por alguns segundos. Como eu fiquei sério, ela imaginou que eu falava "sério". Saiu com aquela cara de "moleque grosso, sem educação".

Algum tempo depois, eu estava indo embora e conversando com um conhecido meu. Já na portaria, claro, ela prestava descaradamente atenção na nossa conversa.
ELE: Quer uma carona Rafael.
EU: Num precisa, eu moro aqui perto.
ELE: Mas num tem problema. Tu tá cansado.
EU: Num precisa. Eu moro no prédio aqui do lado. Eu venho andando pra cá.
Segundos depois, escuto a secretária cair no riso, e sair correndo para dentro da cozinha. Como não havia mais ninguém por perto, imagina-se que só naquela hora ela entendeu a piada. Hoje eu confirmei que isso foi verdade (ela me contou).

Por enquanto é só. Estou entrando em semana de provas. Agora vem o resultado de ficar vadiando o tempo todo e não estudar quase nada. Mas a gente supera. Eu acho.

"Giorgio tá tudo assim nem sei tá tão estranho/ a cor dessa estação é cinza como o céu de estanho/ quando um dia enfim findar/ esse outono eterno/ quero que você me aqueça" Zeca Baleiro - Balada para Giorgio Armani

segunda-feira, 11 de outubro de 2004

Eu não queria dizer, mas andei sonhando com você. Nada especial. Você só apareceu num canto do sonho. Sentou-se e ficou me observando com teu olhar sereno. Mesmo assim, foi o suficiente pra me fazer acordar preocupado. Não queria dizer, mas acho que andei pensando em você. Nem bem, nem mal; muito.
Assim me parece que a vida vai ser. Vamos nos viciar um no outro. Vamos acordar e buscar a dose que faça passar a crise de abstinência de ficar a noite toda sem se falar. Depois vamos nos lavar e vestir, cada um na ponta de seu mundo; pois, por alguns instantes, a vida teria voltado ao normal. Passaremos o dia longe; cabeça longe do mundo real. De tempos em tempos nos lembraremos; sentiremos o cheiro, o gosto do que nunca fora provado. E, a cada minuto de sobra, sairíamos correndo pra buscar uma nova dose do que parece que engole nossas vidas e refaz nossas almas. Chegada a noite, poderemos nos servir de mais um cheiro, de mais um trago (ou seria de mais uma vez em que as vozes ecoam pelos corredores?). Uma dose alta o suficiente pra nos manter viciados; mas não nos matar.
E chegará o dia em que nos será dado à disposição a dose fatal. Nesse dia, eu não sei o que você fará. Eu, eu já sei. Eu vou beber de teu suor forte; cheirar teu perfume em linhas do teu pescoço; envolver tua alma no meu corpo e fumá-la. Vou acender teu espanto na brasa escarlatina de meu cigarro e sentir a introdução de teu corpo liqüefeito nas artérias de meu cérebro. A overdose vai acontecer. Sem mortes, sem perdas. Nessa primeira tomada, primeira tragada, a dose será certeira para nos manter aprisionados um ao outro. Mesmo que, no outro dia, voltemos a nos provar metidos na distância.

"Adoro, sei lá porquê, esse olhar meio escudo. Quem em vez de qualquer álcool forte pede água Perrier. Adoro, sei lá porquê, esse olhar meio escudo. Que não quer o meu álcool forte e sim água Perrier."

Alguém me explica porquê eu me sinto tão sentimentalóide ultimamente?!

domingo, 10 de outubro de 2004

Eu vou mandar Jaú pra tonga da mironga do kabuletê*

Depois ainda me falam que eu não tenho motivos. Cheguei ontem, às 19:30, aqui nesse amor de cidade. Fui direto ver meus pais na padaria que eles tavam. Fiquei lá coisa de uma hora. Sendo que na metade do caminho já chegavam algumas pessoas dizendo "a fulana acabou de me falar que você tá aqui e eu vim dar uma passadinha". Seguido de comentários sobre a faculdade, algum parente que já morou em Campinas e vários outros assuntos. Cheguei em casa e descobri que esquecí roupas de verão lá (ou seja, agora, independentemente do tempo, eu vou sair de calças e camisetas compridas). Descubro que a única coisa que se teria pra fazer na sexta-feira é Clube do Rock (basicamente uma média de idade de 13 anos ouvindo bandas jauenses tocar rocks americanos do cacife artístico de Blink 182). Entrei na net e não tinha ninguém. Dormí cedo e acordei com meu vizinho ouvindo Bruno & Marrone e lavando o carro.
Sem nada pra fazer à tarde, resolvi correr no Lago (aqui perto de casa). Em 15 minutos, já havia comprimentado umas 50 pessoas (algumas delas mais de uma vez) e umas 15 me pararam pra conversar contando fatos que, definitivamente, não me interessavam. Me ligam de casa avisando que encontraram a minha caneta perdida (com a pena dobrada ao meio, claro). Como não tinha UM bar aberto em torno do lago (e eu sei que qualquer bebida em casa tem a mesma expectativa de vida da de um pedaço de pão caindo no Quênia) eu parei na sorveteria. Cinco minutos depois, chega o dono da sorveteria (que eu nunca havia visto na vida, JURO). Começou com um "você é o Rafael, filho do Jair baxinho" seguido de meia hora contando e opinando sobre fatos da MINHA vida que nem eu lembrava que aconteceram (ou estão acontecendo).
Agora, alguém ainda se pergunta o porquê de eu não querer voltar pra cá no feriado?

* "tonga da mironga do kabuletê" é um xingamento, em nagô, que, se eu não me engano, significa algo do tipo "o pêlo do cu da mãe".

terça-feira, 5 de outubro de 2004

Post rapidíssimo em duas partes.

Amanhã eu tenho uma prova ferrada. Não consegui estudar quase nada. As aulas de hoje são impossíveis de se prestar atenção. Mesmo assim, eu, ao invés de tomar vergonha na cara e estudar, resolvi matutar sobre 3 questões que me aporrinhavam há um tempinho:
1-) Estou morrendo de vontade de comer goiaba. Mas a da quitanda não está nem um pouco barata...
2-) Eu corto meu cabelo antes, ou depois do feriado?
3-) Ainda não sei pra onde vou no feriado. Não quero ficar em Jaú. Mas não tenho outras opções. Preciso pensar em algo...

Segunda parte do post. Resposta aos comments
ÚCI: Pois é, normalmente eu sou bem diferente da minha família, sim. Exceto em momentos de stress profundo... Falando nisso, cade meu e-mail? (sei q vc tá atolado de coisa pra fazer; mas não quero perder a oportunidade de ser chato!)
JULZ: O esquema de casa é o seguinte: enquanto visitas ficarem dentro do recinto, a normalidade regra. Depois que elas vão embora, ou se ficam mais de uma semana, a casa volta ao seu "normal".
MAC: não existe imunidade diplomática na minha família. Pra falar a verdade, nem diplomacia existe direito. Tb queria ter ido na festa. Espero e-mail contando o que rolou de legal...
ULYSSES: (não comentou mas conversou comigo) A prima é essa mesma q vc disse. Outra coisa, e o negócio da Chapada, o q virou? O Leo me falou que andou dando pepino...


Só isso por hoje. Até a próxima. Na quinta eu posto alguma coisa melhor...

segunda-feira, 4 de outubro de 2004

Algumas considerações sobre o meu final-de-semana. Não estou inspirado o suficiente pra postar coisa séria.

Começando do final. Eu comprei o cd Medulla da Björk (o mais novo), quando cheguei em Campinas. Tenho esperanças de que meu queixo volte ao lugar até amanhã. Cdzinho filho da mãe de bom. Dinheiro muito bem gasto.

Eu toquei, pela primeira vez na vida, "GRANDE POLONAISE BRILLANTE PRÉCÉDÉE D´UN ANDANTE SPIANATO, OP 22", de Chopin, sem errar absolutamente nada. Fiquei extremamente feliz. É sinal de que já ando desenferrujando os dedos. Até o final do ano eu volto a tocar IMPERADOR. Tomara!

Eu adoro o meu gato. Mas odeio quando ele sai na chuva, volta molhado e fica se esfregando na minha perna. Levou bicuda, lógico.

Festa de dois anos de sua prima. Fui "convidado" (leia-se "intimado") a comparecer. Agora, pensem comigo: se você vai numa festa, duma família que odeia (e o ódio é mútuo) e se senta numa mesa, isolada, no canto mais escuro da festa; isso só pode significar uma coisa: "me deixem em paz e, por favor, enche a mesa de bebida". Então, porque diabos, em menos de meia hora já estavam "juntando" outra mesa porquê não tinha espaço pra todos se sentarem na MINHA mesa?! Bando de cateto...

Ainda sobre a festa. Se alguém (uma prima) chega em você e fala "nossa, Rafa, como você tá bonito. Cê até emagreceu mais ainda. Tá muito bem"; será que ela está esperando algo como "você também tá muito bonita. Cê perdeu bastante peso, ne?!"? Se for, desculpem, mas eu não sou tão mentiroso assim. E a boa-educação que me dê licença...

Pra quem se pergunta o que foi que ajudou Rafael sair como sou hoje; eu peço que dê uma olhada nas minhas raízes. Portanto, vai agora uns diálogos (que rolaram em casa) esse fds, entre membros da minha família (vale dizer que, apesar de não parecer, todos os diálogos aconteceram em clima de paz e brincadeira; e os palavrões não são inventados, aconteceram tb!):

MÃE (chegou chutando a porta da sala e berrando): Puta que o pariu, cassete!
EU (tranquilamente assistia tv, esse tipo de entrada não me surpreende mais): Que aconteceu?
MÃE (vale dizer que ela gritou esse diálogo inteiro): Eu num güento mais essa porra de casa. Olha a bagunça que teu irmão e teu pai deixam por aí. Tô cansada de ter de dar de empregada aqui.
EU: Manda eles catarem tudo.
MÃE: Eu vô é dá um tiro nos filhadasputa. (berro mais alto que os outros) ISSO AQUI TÁ PARECENDO CASA DE LOUCO!!!!!!!!!!!
EU: E você gritando aí só ajuda a dar certeza.
MÃE: Cê vai tomá no seu cu e não me enche o saco.

Pouco antes de ir pra festa da minha prima. Eram 20:45 e a festa tinha começado as 19:30.
PAI: Tá pronta, mãe?!
MÃE: Num atormenta. Ainda tô me maquilando.
PAI: Desiste, nessa idade não tem reboque que conserte...
MÃE: Fala isso pras uva-passa das tuas irmãs. Aquele bando de maracujá-de-gaveta...
(passou-se um tempo)
PAI (entrando no quarto e vendo minha mãe quase pronta): Tá feia essa roupa.
MÃE: Quem tem menos de um metro e meio num opina.
PAI (provocando): Cê engordou, mãe?!
MÃE: Não. Tô no mesmo peso. É você que, além de velho, tá ficando cego...
PAI (no banheiro, ele estica pra fora um vidro novo de perfume; ainda provocando): Mãe, é esse aquele novo pra-debaixo-do-braço?
MÃE: Não. Esse cê pode enfiar no rabo. Que que cê acha?!

Finalmente prontos. Saindo pro aniversário.
MÃE: Rafael, põe o gato pra fora.
EU: Vô não. Tô de preto.
MÃE (gritando, pra variar): Jaiiiiiiiiiiiiir, põe o gato pra fora.
PAI: Manda o Rafael fazer isso.
MÃE: Ele tá de preto. Põe você.
PAI: Então o gato só vai sair quando ele quiser.
MÃE (gritando, de novo): Põe a merda desse gato no quintal senão eu vô chutá o filhadaputa por cima do muro da vizinha.
PAI: Tá bom. Eu jogo o gato no quintal.
MÃE: Joga o escambau. Mandei colocar o gato no quintal. Pra jogar, eu mesma jogava.
Agora, alguém realmente duvida de que, na minha família, alguém JOGARIA o gato, da sala, passando pela cozinha, até o quintal?

Domingo de manhã. Minha mãe passa pela sala quase dando um ponto no chão de tão brava. Volta a passar, 5 minutos depois, carregando um balde enorme cheio d'água.
EU: Que que cê vai fazer com isso.
MÃE: Aquele mulequinho, sobrinho do vizinho de baixo, sujou a calçada inteira de terra.
EU: Lava com a borracha, né, esperta?!
MÃE: Eu num vô lavá a calçada...
Algum tempo depois eu ouço o som de água sendo jogada; seguido de um choro de criança.
MÃE (passando na sala, com o balde vazio, e um sorriso enorme no rosto): Quero ver se esse viadinho vai sujar minha calçada tão cedo...

Pois é. Depois não sabem porquê eu sou assim...

sexta-feira, 1 de outubro de 2004

Murphy resolveu me fazer uma visita e não vai embora tão cedo. Também andei pensando em algo como "eu não só joguei pedra na cruz como, depois, parei na frente e fiz um bundalelê".

Deixa eu explicar melhor. Chegou a primavera. E, com ela, um calor danado. Aqui em Campinas, nas duas últimas semanas, está um tempo extremamente seco e ensolarado (muito sol, pra falar a verdade). Como eu vivo andando, pra lá e pra cá, pela Unicamp, de camiseta, andei pegando um bronzeado estilo "pedreiro" (ou seja, meus braços e pescoço estão levemente mais morenos que o resto do corpo). Ainda não tem marca da manga, nem nada. Mas é feio. Dado o sol e a proximidade do final de semana em Jaú, estava com altos planos. Já me via, sábado, o dia inteiro numa piscina azulzinha, com uma bela caipirinha e ótima música no rádio. Paz, tranqüilidade, natação e, conseqüentemente, iria tostar ao sol. Pretendia voltar moreno-tição pra cá.
Só que, lógico, na quinta-feira, fecha o tempo, esfria, o sol vai embora e ameaça chover. A previsão avisa que isso vai se prolongar por uns dias. Do jeito que eu me conheço, é certeza que no domingo, justo quando eu estiver voltando pra Campinas, vai abrir o maior solzão e eu vou voltar cozinhando no carro. AI QUE ÓDIO!

Outro assunto agora: feriado de outubro. Já me decidí que não vou pras Economíadas. Não tenho saco pra agüentar aquele povinho. Além do mais, iria gastar uma grana do diabo. Com isso, meus planos pra Festa Brega, Fantesão, Chapada dos Veadeiros, Reveillón e carnaval, se não miassem, iriam acontecer com muito menos dinheiro no bolso. Então eu estou entrando em brainstorm pra decidir o que fazer no feriado. Não quero passar em Jaú, isso é fato. Aceito sujestões.